Por intermédio dos espaços virtuais que os exprimiriam, os coletivos humanos se jogariam a uma escritura abundante, a uma leitura inventiva deles mesmos e de seus mundos(...) poderemos então pronunciar uma frase um pouco bizarra, mas que ressoará de todo seu sentido quando nossos corpos de saber habitarem o cyberspace: “Nós somos o texto.” E nós seremos um povo tanto mais livre quanto mais nós formos um texto vivo.
Pierre Lévy

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Feiras livres: patrimônios da cidade


Feiras livres: um patrimônio de São Paulo
Publicado em 12/09/14 por raquelrolnik


No último dia 25 de agosto, comemoramos 100 anos de existência formal das feiras livres de São Paulo, um verdadeiro patrimônio da cidade. A data se refere à primeira regulamentação desta atividade na capital, o Ato 710, assinado pelo então prefeito Washington Luis, em 1914. A primeira feira oficial da cidade funcionou no Largo General Osório.

Hoje temos 880 feiras espalhadas pelas 32 subprefeituras da cidade. Geralmente, os feirantes tocam o negócio em família, trabalhando em diferentes feiras a cada dia da semana, à exceção da segunda-feira. Hoje são mais de 16.000 barracas de feira na capital, de acordo com informações da prefeitura, em todas as regiões da cidade.

Onde nasce a sexualização precoce


Vogue Kids faz ensaio com crianças em poses sensuais e pode ser acionada pelo MP
11 de Setembro de 2014 by mairakubik 40 Comments










Pernas abertas, calcinha aparecendo, blusa levantada. Se fossem modelos adultas, estaríamos discutindo aqui no blog, mais uma vez, a objetificação do corpo mulheres. Mas são crianças e as fotos, do ensaio “Sombra e água fresca”, publicado pela revista Vogue Kids em setembro, praticamente falam por si.

“Muitas vezes quando pensamos em pedofilia imaginamos um tio pervertido ou em um cara se escondendo atrás de um computador, ou de algo escondido, secreto. Mas a gente não fala de uma cultura de pedofilia, que está exposta diariamente, onde a imagem das crianças é explorada de uma forma sexualizada. A Vogue trouxe um ensaio na sua edição kids com meninas extremamente jovens em poses sensuais. Alguns podem dizer que é exagero. Que é pelo em ovo. Eu digo que enquanto a gente continuar a tratar nossas crianças dessa maneira, pedofilia não será um problema individual de um ‘tarado’ hipotético, e sim um problema coletivo, de uma sociedade que comercializa sem pudor o corpo de nossas meninas e meninos”, afirmou a roteirista Renata Corrêa, uma das primeiras a criticar publicamente a revista.

Futebol, disputa e intolerância

Será o futebol um espaço privilegiado para observar a natureza humana e as implicações de nossa vida social? Durante uma partida, as paixões mobilizadas entre torcedores, jogadores e árbitros representam os instintos humanos? Nesses contextos, o comportamento de rebanho encontra espaço privilegiado para reduzir a racionalidade em favor da agressividade?
 Para pensar sobre isso, leia o texto abaixo e veja a coletânea que o segue.



http://xucurus.blogspot.com.br/2013/11/futebol-e-o-jogo-das-virtudes.html
http://xucurus.blogspot.com.br/2012/03/masculinidade-e-violencia-no-futebol.html
http://xucurus.blogspot.com.br/2014/04/um-planeta-de-macacos-de-bananas-ou-de.html
http://blogs.estadao.com.br/daniel-martins-de-barros/quem-apanha-em-dia-de-jogo/
http://xucurus.blogspot.com.br/2011/09/violencia-sem-disfarce.html
http://xucurus.blogspot.com.br/2011/12/mafalda-e-o-futebol.html
http://infograficos.oglobo.globo.com/esportes/dez-casos-de-racismo-que-envergonham-o-futebol.html
http://www.gazetadopovo.com.br/esportes/futebol/conteudo.phtml?id=1380180
Trecho de livro sobre o tema: http://www.ludopedio.com.br/rc/index.php/biblioteca/recurso/186


Os desafios da educação

PROPOSTA
Políticos, educadores, professores, pesquisadores e alunos têm falado muito sobre a qualidade da aprendizagem nas escolas e faculdades do país. Muitos pais estão satisfeitos; os alunos falam bem ou mal de suas aulas (o que sempre aconteceu); professores reclamam dos salários, mas, em geral, se consideram aptos para ensinar; os governos anunciam incansáveis medidas para a melhoria do ensino. Entretanto, se há situações de excelente formação Brasil afora, o país tem ocupado posições muito baixas nos rankings mundiais de ensino e aprendizagem. Você, que já foi à escola e que vai para a universidade ou já foi: o que acha educação no Brasil? Como o ensino pode, de fato, transformar ou estagnar a vida de uma pessoa? A cultura extraescolar (tevê, livros, música), o exemplo e o acompanhamento familiar, o interesse e o comprometimento de alunos e professores são fatores importantes para a qualidade do ensino?
ELABORE UMA DISSERTAÇÃO CONTEMPLANDO AS DISCUSSÕES ACIMA E OFERECENDO SUGESTÕES DE SOLUÇÃO PARA O PROBLEMA.

A matéria abaixo, publicada esta semana, constata o que todos já imaginávamos: o ensino médio brasileiro está longe de atingir seus objetivos de desenvolver as potencialidades dos indivíduos, preparar para a vida profissional, para a cidadania e para a autonomia. É bom refletir sobre ele e, assim, observar o que se pode e deve fazer para enfrentar seus desafios.

Leia a coletânea indicada e veja os documentários recomendados para refletir sobre este tema tão relevante e complexo.

Documentários:







Este é um documentário muito recente que vale muito a pena: Educação.doc 

Textos interessantes:
-sobre os gargalos no ensino médio: 
http://xucurus.blogspot.com.br/2013/03/ensino-medio-e-tecnico-profissional.html
- sobre a formação docente
http://xucurus.blogspot.com.br/2013/08/muita-teoria-e-pouca-pratica-formam-os.html
- sobre pensadores que podem ajudar a compreender o problema
http://xucurus.blogspot.com.br/2012/10/educacao-era-da-mutacao-permanente.html
http://xucurus.blogspot.com.br/2010/11/educacao-em-tempos-liquidos-e-celeres.html
http://xucurus.blogspot.com.br/2014/02/educacao-entrevista-com-mario-sergio.html
http://xucurus.blogspot.com.br/2012/04/noam-chomsky-questiona-educacao-para.html

Ideb: ensino médio piora em 13 estados; confira resultados
Ana Elisa Santana - Portal EBC05.09.2014 - 16h51 | Atualizado em 05.09.2014 - 19h00
Divulgados nesta sexta-feira (5) pelo Ministério da Educação (MEC), os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) revelaram um fraco desempenho na avaliação do ensino médio na análise por estados. Para esta etapa do ensino, a meta do Ideb não foi atingida apenas em quatro unidades da federação: Amazonas, Pernambuco, Rio de Janeiro e Goiás. De 2011 a 2013 o desempenho caiu em 13 estados. Considerando apenas o desempenho das redes estaduais, apenas seis estados atingiram a meta esperado do Ideb. Na rede particular, o resultado foi ainda pior: apenas Roraima atingiu a meta prevista para 2013.

Leia também: 





IDEB 2013 – ENSINO MÉDIO
Estado da FederaçãoIdeb 2011Ideb 2013Meta 2013
Rondônia3,73,63,8
Acre3,43,43,8
Amazonas3,53,23,0
Roraima3,63,44,0
Pará2,82,93,4
Amapá3,13,03,5
Tocantins3,63,33,6
Maranhão3,13,03,3
Piauí3,23,33,5
Ceará3,73,63,9
R. G. do Norte3,13,13,5
Paraíba3,33,33,5
Pernambuco3,43,83,6
Alagoas2,93,03,6
Sergipe3,23,23,8
Bahia3,23,03,5
Minas Gerais3,93,84,3
Espírito Santo3,63,84,3
Rio de Janeiro3,74,03,8
São Paulo4,14,14,2
Paraná4,03,84,2
Santa Catarina4,34,04,4
R. G. do Sul3,73,94,3
M. G. do Sul3,83,63,8
Mato Grosso3,33,03,7
Goiás3,84,03,8
Distrito Federal3,84,04,1

Ideb - anos finais do ensino fundamental

Nos últimos anos do ensino fundamental, cinco estados não atingiram a meta para 2013: Pará, Amapá, Tocantins, Sergipe e Santa Catarina. Todas estas unidades da federação, além de não chegarem à nota esperada na avaliação, tiveram o desempenho pior do que a análise feita em 2011. O estado de Mato Grosso também diminuiu o desempenho de 4,5 para 4,4, pontos, mas se manteve dentro da sua meta que era 3,9.

IDEB 2013 – ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
Estado da FederaçãoIdeb 2011Ideb 2013Meta 2013
Rondônia3,73,94,2
Acre4,24,44,4
Amazonas3,83,93,6
Roraima3,73,74,3
Pará3,73,64,2
Amapá3,73,64,4
Tocantins4,13,94,2
Maranhão3,63,63,9
Piauí4,04,03,9
Ceará4,24,44,0
R. G. do Norte3,43,63,7
Paraíba3,43,53,6
Pernambuco3,53,83,6
Alagoas2,93,13,3
Sergipe3,33,23,9
Bahia3,33,43,6
Minas Gerais4,64,84,6
Espírito Santo4,24,24,7
Rio de Janeiro4,24,34,5
São Paulo4,74,75,0
Paraná4,34,34,4
Santa Catarina4,94,55,1
R. G. do Sul4,14,24,7
M. G. do Sul4,04,14,2
Mato Grosso4,54,43,9
Goiás4,24,74,4
Distrito Federal4,44,44,7


Ideb - anos iniciais do ensino fundamental

Entre todas as unidades da federação, apenas o Amapá e o Rio de Janeiro não atingiram a meta total esperada para 2013 na análise dos anos iniciais do ensino fundamental. No Amapá, o Ideb caiu de 4,1 para 4,0, quando a projeção a ser atingida deveria ser 4,3. Enquanto isso, no Rio de Janeiro, a nota passou de 5,1 para 5,2, mas o desempenho não foi suficiente para alcançar a meta de 5,4 pontos prevista para 2013. O Pará também teve desempenho inferior em 2013 em relação a 2011: o Ideb caiu de 4,2 para 4,0, mas o estado se manteve dentro da meta para o ano, que é 3,8 pontos. Em contrapartida, os outros estados tiveram aumento da nota geral e conseguiram atingir as suas metas. As maiores notas do país para esta fase do ensino são em São Paulo (6,1), Minas Gerais (6,1) e Santa Catarina (6,0).


IDEB 2013 – ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
Estado da FederaçãoIdeb 2011Ideb 2013Meta 2013
Rondônia4,75,24,7
Acre4,65,14,5
Amazonas4,34,74,2
Roraima4,75,04,8
Pará4,24,03,8
Amapá4,14,04,3
Tocantins4,95,14,6
Maranhão4,14,14,0
Piauí4,44,53,9
Ceará4,95,24,3
R. G. do Norte4,14,43,8
Paraíba4,34,54,1
Pernambuco4,34,74,3
Alagoas3,84,13,6
Sergipe4,14,44,1
Bahia4,24,33,8
Minas Gerais5,96,15,7
Espírito Santo5,25,45,3
Rio de Janeiro5,15,25,4
São Paulo5,66,15,8
Paraná5,65,95,6
Santa Catarina5,86,05,5
R. G. do Sul5,15,65,3
M. G. do Sul5,15,24,7
Mato Grosso5,15,34,7
Goiás5,35,75,2
Distrito Federal5,75,95,8


O que é o Ideb?

Criado em 2007 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Ideb tem o objetivo de medir a qualidade do aprendizado nacional e estabelecer metas para a melhoria do ensino no país. O indicador é divulgado a cada dois anos e é calculado a partir de dois componentes: a taxa aprovação e as médias de desempenho dos alunos nas avaliações aplicadas pelo Inep. A partir desses dados são calculados o Ideb de cada escola, rede de ensino, município e estado, além da média nacional.
Direitos autorais: Creative Commons - CC BY 3.0

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Sobre a menoridade, a covardia e a preguiça

"Preguiça e covardia são as causas que explicam por que uma grande parte dos seres humanos, mesmo muito após a natureza tê-los declarado livres da orientação alheia, ainda permanecem, com gosto, e por toda a vida, na condição de menoridade. É tão confortável ser menor! Tenho à disposição um livro que entende por mim, um pastor que tem consciência por mim, um médico que prescreve uma dieta etc.: então não preciso me esforçar.
A maioria da humanidade vê como muito perigoso, além de bastante difícil, o passo a ser dado rumo à maioridade, uma vez que tutores já tomaram para si de bom grado a sua supervisão. Após terem previamente embrutecido e cuidadosamente protegido seu gado, para que estas pacatas criaturas não ousem dar qualquer passo fora dos trilhos nos quais devem andar, os tutores lhes mostram o perigo que as ameaça caso queiram andar por conta própria. Tal perigo, porém, não é assim tão grande, pois, após algumas quedas, aprenderiam finalmente a andar; basta, entretanto, o perigo de um tombo para intimidá-las e aterrorizá-las por completo para que não façam novas tentativas."
(Immanuel Kant, apud Danilo Marcondes. Textos básicos de ética — de Platão a Foucault, 2009. Adaptado.)

30 anos entre céu e mar


30 anos entre céu e mar


Três décadas após cruzar o Atlântico a remo, Amyr Klink diz que a prática da navegação a sós está facilitada pela tecnologia, mas dificultada por mudanças ambientais e comportamentais

RAFAEL GARCIADE SÃO PAULO

O único explorador até hoje capaz de remar sozinho da África ao Brasil comemora em 18 de setembro os 30 anos de seu desembarque na Bahia. A reflexão que Amyr Klink, 59, oferece agora é a de que a experiência de navegar o mundo se tornou diferente: facilitada pela tecnologia, mas dificultada por mudanças ambientais e pelo sumiço dos espíritos solidários do radioamadorismo.

Depois de contar a viagem no livro "Cem dias entre céu e mar", Klink diz que esperava ver "dezenas" de outros navegadores repetindo o feito. Até agora, ninguém o fez, mas há três remadores dispostos a tentar em 2015.

Em depoimento à Folha embaixo do domo que construiu em sua casa, em Moema, o navegador fala sobre o que passa por sua cabeça três décadas após sua canoa IAT aportar em Camaçari (BA).

30 anos no mar

Cinco anos depois da viagem desse barquinho, eu fiz a primeira viagem para a Antártica e não parei mais. (...) Estou surpreso, porque achei que aos 40 ou 50 anos eu já estaria morto. Fisicamente, me sinto bem. Não tenho nenhuma restrição. (...) Imaginei que haveria dezenas de travessias por ano [feitas por outros remadores], mas por alguma razão não aconteceu. O brasileiro gosta de praia. Já de mar...

Radioamadorismo

Naquela época não tinha navegação de precisão, previsões meteorológicas eram altamente precárias, mas já existia o radioamadorismo. Eu falava com meia dúzia de radioamadores, mas tinha dezenas de milhares no mundo todo me acompanhando. Na época o radioamadorismo talvez estivesse no seu auge. (...) Por incrível que pareça, o mundo ficou um pouco mais solitário. Hoje você é um indivíduo isolado. Ninguém quer saber onde você está. Esse espírito de solidariedade está de certa forma se esvaindo.

Aquecimento global

O aquecimento a gente percebe na Antártica. Percebemos o recuo de geleiras, o aumento do número de grandes gelos em alto mar --um sinal de que as geleiras estão despejando mais icebergs tabulares.

Buraco na camada de ozônio

O que mais me impressionou foi o aumento do ultravioleta. A gente sente na pele hoje. Há 20 anos, na Antártica, a gente passava uma temporada inteira tirando a camisa em dias de sol, ou pelado. Hoje, se você fica 30 minutos sem camisa lá você vai para uma UTI.

Vendavais

A segunda mudança visível em termos climáticos para quem vai regularmente para essas regiões extremas é a média de ventos. Antigamente, as pessoas falavam em tempestades terríveis com ventos de 45 nós. Hoje em dia a gente pega ventos de 80 ou 90 nós. No ano retrasado, estávamos com as crianças lá e pegamos 110 nós [200 km/h].

GPS

Em 1984, não existia GPS. Ele começou do meio para o fim dos anos 1980. Quando fiz a primeira viagem [em grupo] para a Antártica, em 1986, a gente usava navegadores por satélite que tinham imprecisão enorme. O primeiro aparelho acessível ao grande público apareceu em 1989, mais ou menos, quando fiz a primeira descida sozinho para a Antártica. Era uma coisa tão maravilhosa que eu botava o aparelho numa caixinha de veludo e abria uma vez ao dia.

Meteorologia

O que facilitaria muito hoje [uma nova travessia] é a facilidade de se obter dados confiáveis de meteorologia. (...) A gente tem hoje modelos matemáticos com dados da NOAA [agência atmosférica dos EUA] que dão previsões de até 72 horas com precisão dramática. (...) O problema é que a turma está abusando. A francesada desce para a Antártica hoje em barcos amarrados com arame, completamente despreparados e de forma precária. A chance de ter um acidente é grande.

Novos remadores

Alguns estão se mirando na minha travessia para se prepararem [para cruzar o Atlântico Sul]. Alguns não. Esse americano, Victor Mooney, não conhecia a minha experiência até três anos atrás. O barco dele foi projetado no Brasil, e acho que o projeto é péssimo. Tem outro cara [Caetano Altafin] que ainda está projetando o barco e outro [Angelo Corso] que já está construindo. Eu acho que ele vai ser bem-sucedido, porque é um cara dedicado.

À deriva

Ele [Corso] tem um bom projeto. Uma boa mistura entre a tecnologia e design avançado, mas com as propriedades funcionais de um barco à deriva. Em mais da metade do tempo [na hora do remador dormir e descansar], o barco é um casco a deriva. (...) O cara que faz um barco para navegar, apenas, vai fazer o projeto errado.

A construção do domo

É uma brincadeira. Hoje existe uma legião pelo mundo de adoradores da matemática do Buckminster Fuller [arquiteto famoso pelos domos]. Ele não era um cara que pensava só em geodésicas; pensava na eficiência da habitação, do transporte, no futuro, na preservação do clima. (...) Tenho todos os livros dele. Adorei o modo de o cara pensar. Ele construiu várias teorias sobre assuntos que eu acho legais: eficiência, durabilidade, baixo custo e acessibilidade.

domingo, 17 de agosto de 2014

Homem que enganou a mídia no acidente de Eduardo Campos é "mitômano"


O que levaria alguém a protagonizar uma história de ficção como a que foi contada pelo mitômano que jurou ter fechado os "olhos verdes" do candidato Eduardo Campos?
Donizete Machado, o mitômano que descreveu cenas mentirosas sobre o acidente aéreo que matou Eduardo Campos (captura de tela)

Um homem conseguiu roubar a cena e espalhar alguns boatos durante a cobertura do acidente com o candidato à presidência Eduardo Campos. Vestindo um macacão azul semelhante a um uniforme de socorrista, identificado como estivador, ele afirmou em entrevista ao repórter José Roberto Burnier, da TV Globo, que havia ajudado no resgate das vítimas, tendo visto, inclusive, o corpo de Campos (veja aqui).

“Vi vários corpos espalhados. Inclusive, um dos corpos era realmente o do candidato Eduardo Campos. Eu cheguei a ver, eu abri olho dele verde, azul, eu não acreditei, fique estarrecido”, disse ele, abalado.

Deu o mesmo depoimento à repórter Eleonora Paschoal, da Band: “Eu vi o corpo do candidato Eduardo Campos e é uma cena que eu jamais vou esquecer em toda a minha vida”.

A internet que emburrece - Nicolas Carr

Publicado em: 16/08/2014
Nicholas Carr: “A Internet que emburrece”
Por Sonielson Luciano de Sousa via Encena

É publicitário (CEULP/ULBRA), pós-graduado em Educação, Comunicação e Novas Tecnologias (Unitins), editor do jornal e site O GIRASSOL, graduando em Filosofia (UCB-DF e UFT), colaborador do (En)Cena e do Portal Educação.





Conhecido no meio acadêmico como um dos maiores críticos do avanço da internet sob outras formas de disseminação do saber, o estudioso e escritor norte-americano Nicholas Carr foi finalista do prestigiado Prêmio Pulitzer com a obra “A Geração Superficial – O que a Internet está fazendo com os nossos cérebros”, publicada no Brasil pela Editora Agir, e atualmente com edição esgotada.

Na obra, Carr diz que os efeitos mais explícitos do uso incessante da internet, para o nosso cérebro, é a perda da capacidade de concentração e de memorização, numa espécie de “transferência” de responsabilidade no que se refere ao domínio da memória; ou seja, com a possibilidade de se ter uma memória portátil, “na mão”, em analogia direta aos dispositivos móveis de acesso a internet como smartphones e tablets, o leitor perde cada vez mais sua capacidade de construir estruturas cognitivas que, a médio e longo prazos, são responsáveis por uma série de mudanças na própria plasticidade do cérebro, e nas possibilidades de exercer uma visão crítica, aprofundada, sobre os diferentes temas abordados numa leitura tradicional.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Crise de água, crise de humanidade

Método de desenvolvimento – DIVISÃO DE ARGUMENTOS
(Impactos do tema: social, cultural, filosófico, político, econômico, ambiental)
 INTRODUÇÃO: Problema (contexto) + Tese (ponto de vista)
DESENVOLVIMENTO
Situação A – breve exposição + como o tema se manifesta + por quê
Situação B – breve exposição + como o tema se manifesta + por quê
Situação C – breve exposição + como o tema se manifesta + por quê
CONCLUSÃO
Síntese dos problemas ou desafios expostos em cada uma das situações + Perspectiva (o que deve ser feito ou o que deve ser exaltado dessas três experiências)

VARIAÇÃO do Método – ANÁLISE DE TRÊS PERGUNTAS ESPECÍFICAS
INTRODUÇÃO: O tema transforma-se em pergunta geral + 3 perguntas específicas que tentam respondê-lo (ou vice-versa)
DESENVOLVIMENTO
Resposta 1 – breve exposição da situação + análise (como isso ocorre + por quê) + resposta à pergunta
Resposta 2 – breve exposição da situação + análise (como isso ocorre + por quê) + resposta à pergunta
Resposta 3 – breve exposição da situação + análise (como isso ocorre + por quê) + resposta à pergunta
CONCLUSÃO
Resposta direta à pergunta geral feita inicialmente, com a síntese da discussão.

Em 2014, o Brasil sofre um problema ímpar de escassez de água. A Sabesp já prevê o esvaziamento total do reservatório Cantareira em outubro próximo (veja matéria no Estadão), diante disso, este parece um tema inescapável.



Curiosamente, o ano 2013 foi intitulado como o Ano Internacional da Cooperação pela Água, decisão da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).
Leia a coletânea abaixo e escreva um texto dissertativo-argumentativo sobre um dos temas:
Tema 1 - estilo ENEM - Elabore uma proposta de intervenção social para enfrentar:
Os desafios da escassez da água no Brasil

Tema 2 - estilo FUVEST, UNESP
O papel da água em nossa civilização 

Textos atuais
Coletânea:


Texto 1
A água tem sido vital para o desenvolvimento e a sobrevivência da civilização. As primeiras grandes civilizações surgiram nos vales dos grandes rios – vale do Nilo no Egito, vale do Tigre-Eufrates na Mesopotâmia, vale do Indo no Paquistão, vale do rio Amarelo na China. Todas essas civilizações construíram grandes sistemas de irrigação, tornaram o solo produtivo e prosperaram.
(Enciclopédia Delta Universal, vol. 1, p. 186)

Texto 2:
(...) Por existir em grande quantidade, a água não é encarada com a veneração que mereceria. As pessoas simplesmente se esquecem de agradecer pela sorte de poder contar com um copo d’água cristalina na hora da sede. E deleitam-se, sem consciência de que este é um ritual quase sagrado, debaixo das cachoeiras domésticas que lhes lançam jatos de água quente na hora do banho. Pouca gente sabe, mas a conta da água que chega no fim do mês cobra apenas pelo tratamento e distribuição da água. (...)
Segundo dados da ONU, um quinto da humanidade não tem acesso a água potável, e o estoque de água doce do planeta estará quase totalmente comprometido dentro de 25 anos. (...) É preciso, portanto, tratar bem da água, e isso não tem sido feito. Os relatórios da ONU alertam para o fato de que, nos países em desenvolvimento, 90% da água utilizada é devolvida à natureza sem tratamento, contribuindo assim para tornar mais dramática a rápida deterioração de rios, lagos e lençóis subterrâneos. (...) Parece surpreendente que o planeta azul, com 70% de sua superfície coberta pela água, tenha chegado a esse ponto. Mas, em volta desse azul, há gente como nunca. No início do século, éramos  pouco mais  de 2 bilhões de habitantes. Hoje, somos mais de 6 bilhões. (...) Quando a água se torna escassa, a economia balança. (...) Pelo globo afora, à medida que a escassez aumenta, crescem os investimentos para garantir o abastecimento. (VEJA, 17.11.09)

Texto 3:
É necessário também, a exemplo do que já ocorre com a energia elétrica, colocar um “selo” no consumo de água. Por exemplo: se a água for usada como insumo industrial, como no caso das bebidas, é justo que seu preço seja mais elevado, uma vez que será embutido como custo no preço final do produto a ser comercializado. (...) Não basta pedir aos consumidores que economizem água. Será preciso uma campanha educativa, de longa duração que choque a população, mais ou menos como as campanhas contra a AIDS. Ela deve atingir as donas de casa que todas as manhãs tagarelam com os vizinhos, após molharem o quintal e o jardim, e não fecham as torneiras. Ela deve chegar aos faxineiros dos prédios que diariamente lavam a parte térrea e às vezes usam a água como vassoura. (...) A medida a longo prazo, que já pode começar a ser estudada, é como vir a reutilizar, no futuro, a água usada uma vez. Acho que ela seria muito útil para a irrigação agrícola, para lavar roupas, quintais, carros e como descarga.   (IGNATIOS, Miguel)

Texto 4:
No subsolo da América do Sul, há um imenso reservatório de água pura, com mais líquido do que o existente em todos os rios do mundo. Essa fonte valiosa precisa ser protegida para que possa servir no futuro. (...) No planeta, 97,3% da água está nos oceanos e mares, 2% nas calotas polares e no vapor d’ água da atmosfera, inacessíveis, e 0,7% nos rios, lagos e aquíferos que nos abastecem. Enquanto os povos do Oriente Médio penam por algumas gotas, o brasileiro tem 20% do total de volume de água disponível na Terra. E não corre o risco de esgotamento, isto é, desde que o Brasil adquira a competência necessária para preservar suas fontes murmurantes e aprenda a manejar a abundância com parcimônia. O nosso desperdício chega a ser criminoso: na Região Sudeste, as companhias de abastecimento perdem em média 30% da água já tratada, em vazamentos. No Nordeste, a perda chega a 60%. “Se isso não mudar, pode haver muita água no país, mas um dia vai faltar na torneira”, diz o geólogo Aldo Rebouças.
(SUPERINTERESSANTE, julho/09)

Texto 5
A filosofia grega parece começar com uma ideia absurda, com a proposição: a água é a origem e a matriz de todas as coisas. Será mesmo necessário deter-nos nela e levá-la a sério? Sim e por três razões: em primeiro lugar, porque essa proposição enuncia algo sobre a origem das coisas; em segundo lugar, porque o faz sem imagem e fabulação; e enfim, em terceiro lugar, porque nela, embora apenas em estado de crisálida, está contido o pensamento: “Tudo é um”. (Friedrich Nietzsche, “Os filósofos trágicos”, in: Os pré-socráticos, Col. Os pensadores. São Paulo, Abril Cultural, p. 16)

Texto 6
Misteriosa, santificada, purificadora, essencial. Através dos tempos, a água foi perdendo o caráter divino ressaltado na mitologia e na religiosidade dos povos primitivos e assumindo uma face utilitarista na civilização moderna. Cada vez mais desprezada, desperdiçada e poluída, atingiu um nível perigoso para a saúde pública. Divina ou profana, ninguém nega sua importância para a sobrevivência do homem, seu maior predador. Como se ensaiasse um suicídio, a humanidade está matando e extinguindo o elemento responsável pelo fim do mundo da tradição bíblica. E não haverá arca de Noé capaz de salvar aqueles que lutam ou se omitem na defesa do meio ambiente. Escolha a catástrofe: novo dilúvio universal com o derretimento da calota polar; envenenamento da humanidade com as substâncias tóxicas nos mananciais; chuva ácida; ou simplesmente a sede internacional pelo desaparecimento de água potável. (João Marcos Rainho, “Planeta água”, in: Educação, ano 26, n. 221, setembro de 1999, p. 48)

Texto 7
A ONU redigiu um documento em 22 de março de 1992 - intitulado "Declaração Universal dos Direitos da Água". O texto merece profunda reflexão e divulgação por todos os amigos e defensores do Planeta Terra, em todos os dias.

1 - A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão, é plenamente responsável aos olhos de todos.
2 - A água é a seiva de nosso planeta. Ela é condição essencial de vida de todo vegetal, animal ou ser humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura.
3 - Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia.
4 - O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.
5 - A água não é somente herança de nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como a obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.
6 - A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.
7 - A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.
8 - A utilização da água implica em respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado.
9 - A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.
10 - O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.osta direta à pergunta geral feita inicialmente, com a síntese da discussão.
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