Por intermédio dos espaços virtuais que os exprimiriam, os coletivos humanos se jogariam a uma escritura abundante, a uma leitura inventiva deles mesmos e de seus mundos(...) poderemos então pronunciar uma frase um pouco bizarra, mas que ressoará de todo seu sentido quando nossos corpos de saber habitarem o cyberspace: “Nós somos o texto.” E nós seremos um povo tanto mais livre quanto mais nós formos um texto vivo.
Pierre Lévy

domingo, 21 de dezembro de 2014

Gêneros textuais - Unicamp

A redação da Unicamp funciona de um jeito diferente. Este ano, ela será aplicada no primeiro dia da segunda fase, que vai acontecer entre os dias 11 e 13 de janeiro. Neste caso, a prova de redação consiste em dois textos de gêneros completamente distintos, que não são divulgados antes. Cada texto vale 24 pontos, totalizando 48. Este ano, a redação também passou a valer mais na Unicamp, em um total de 20% da nota final.
Veja os critérios de correção:
Tipo de texto e interlocução: Avalia se o texto corresponde ao gênero pedido, e se os interlocutores (ou seja, a quem você se dirige durante o desenvolvimento do texto) estão sendo considerados.
Propósito: Verifica se a tarefa solicitada na proposta é cumprida e se o tema e as instruções de elaboração do texto são levados em conta.
Leitura: O candidato deve saber estabelecer um contato entre o texto e a coletânea fornecida na prova, através da qual a banca avaliará a leitura e a interpretação de texto do candidato.
Articulação escrita: Os dois textos devem apresentar uma escrita fluida, coerente, e bem fundamentada. O candidato também deve mostrar que sabe adequar a linguagem a cada um dos gêneros solicitados.

Os gêneros que já foram cobrados:

2014 - Relatório sobre oficina cultural em uma escola; Carta aberta de uma associação de moradores, dirigida a autoridades, sobre problemas no trânsito
2013 - Resumo de um texto sobre pessimismo; carta de um leitor aos redatores de um jornal sobre alcoolismo
2012 - Comentário de um estudante num fórum de internet sobre a profissão de cientista; manifesto de estudantes de uma escola sobre monitoramento online; verbete explicando o conceito de computação em nuvem
2011 - Estudante escreve um comentário numa publicação do site da MTV; Líder de grêmio estudantil escrevendo um discurso de apresentação de uma palestra Artigo jornalístico de opinião sobre catástrofes de chuvas


O estudo dos gêneros textuais envolve identificar

- Situação de comunicação
enunciador (uma pessoa ou um grupo)
destinatário (específico ou indeterminado)
objetivo (expor, descrever, informar, convencer, instruir, sensibilizar)
suporte (voz, tela de computador, livro, jornal)

- Formato do texto - estrutura interna do gênero
exige título?
apresenta interlocução explícita ou implícita?
estrutura-se em prosa, verso ou itens?
como é o início (fato motivador, apresentação)
como é o desenvolvimento
como é o encerramento
exige assinatura?

- Tipo predominante (descritivo, narrativo, dissertativo-expositivo, dissertativo-argumentativo, injuntivo)

- Enunciação (1, 2 ou 3.. pessoa: qual é obrigatória; qual é proibida)

- Frases predominantes (curtas ou complexas; afirmativas, exclamativas, interrogativas)


Seguem alguns materiais com exemplos de gêneros diversificados:

http://pt.slideshare.net/anapaulabrito04/levantamento-de-caractersticas-de-gneros-textuais?next_slideshow=1

http://pt.slideshare.net/katcavernum/vest-2012-unicamp-5-os-finalmentes-vrios-gneros-textuais

http://gizelda-linguaportuguesa.blogspot.com.br/2013/10/redacao-unicamp-generos-textuais-i.html

http://gizelda-linguaportuguesa.blogspot.com.br/2013/10/reacao-unicamp-generos-textuais-ii.html

http://oficinadaescritaecultura.blogspot.com.br/p/generos-textuais.html

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Conceitos importantes


Desconstruir, Desconstrução 
A desconstrução não se refere a uma destruição, mas ao trabalho de identificar e visibilizar a realidade.Trata-se de um trabalho político de desmontar e remontar a realidade social como se fosse uma máquina, para, ao fazer isso, ver o que ele esconde e encontrar possibilidades de transformação. 

Equidade
Equidade é o substantivo feminino com origem no latim aequitas, que significa igualdade, simetria,retidão, imparcialidade, conformidade.

Este conceito também revela o uso da imparcialidade para reconhecer o direito de cada um, usando a equivalência para se tornarem iguais. A equidade adapta a regra para um determinado caso específico, a fim de deixá-la mais justa.

A Grécia foi considerada o berço da equidade, porque ela não excluía o direito escrito, apenas o tornava mais democrático, e teve também um papel importante no direito romano.

Equidade no Direito

Equidade é uma forma justa da aplicação do Direito, porque é adaptada a regra, a uma situação existente, onde são observados os critérios de igualdade e de justiça. A equidade não somente interpreta a lei, como evita que a aplicação da lei possa, em alguns casos, prejudicar alguns indivíduos, já que toda a interpretação da justiça deve tender para o justo, para a medida do possível, suplementando a lei preenchendo os vazios encontrados na mesma.

O uso da equidade tem de ser disposta conforme o conteúdo expresso da norma, levando em conta a moral social vigente, o regime político do Estado e os princípios gerais do Direito. A equidade em síntese, completa o que a justiça não alcança, fazendo com que a aplicação das leis não se tornem muito rígidas onde poderia prejudicar alguns casos específicos onde a lei não alcança.

Equidade no SUS

A equidade é uma das doutrinas fundamentais que constituem o SUS. Isto significa que todos os cidadãos têm o direito de usufruir do sistema de saúde.

Apesar de todos terem acesso a cuidados prestados pelo sistema de saúde, a equidade contempla a realidade que locais e pessoas diferentes têm necessidades diferentes, e por isso soluções e esforços diferentes devem ser feitos de acordo com o contexto em questão.

Direito Romano

A equidade teve papel fundamental no desenvolvimento do Direito Romano, que caracterizava-se pelo formalismo, oralidade e rigidez, aplicando a igualdade aritmética e não a equidade. Ele não se estendia a todos os que viviam no Império, criando uma massa de excluídos que não podiam recorrer à justiça.
Porém, com a invasão da Grécia pelos romanos, houve uma sincretização entre as duas culturas e, com isso, além da introdução de um direito escrito, a filosofia grega influenciou na quebra da rigidez do Direito, através do princípio da equidade.

Estereótipo, estereotipia 
É comum criarmos categorias para enquadrar e classificar as coisas que existem no mundo. Porém, às vezes, também queremos enquadrar pessoas em categorias: dividimos as pessoas em certos grupos e atribuímos características específicas a esses diferentes grupos, ou pegamos algumas características que se destacam em um ou outro membro desse grupo e atribuímos ao todo. O estereótipo é uma generalização de características – a partir do estereótipo de um grupo pressupomos como é uma pessoa pertencente a esse grupo e como devemos nos relacionar com ela. 

Estigmas, estigmatização 
A palavra estigma se refere às marcas e características negativas que são atribuídas às pessoas e lidas como justificativas que fundamentam a sua exclusão. Essas marcas atuam na desumanização e inferiorização, tornando aquele ou aquela estigmatizada inabilitada para uma plena aceitação social e para uma inserção não-violenta nos espaços de socialização. Estigmatização se refere ao processo de construção dos estigmas. Ainda que muitas vezes os estigmas apareçam como “naturais”, são resultados de processos sociais de opressão e se baseiam em preconceitos, visões discriminatórias e atos de violência e segregação


Hegemonia, Hegemônico 
Supremacia, preponderância, domínio de uma coisa sobre outra. 

Heteronormativo, heteronormatividade
Heteronormatividade é o nome que se dá aos mecanismos que instauram a heterossexualidade como a norma sexual. Quando acreditamos em uma crença segundo a qual a heterossexualidade é mais natural ou correta que outras práticas sexuais e agimos de acordo com ela, estamos sendo heterossexistas, ou seja, exercendo um preconceito sexual ao mesmo tempo estamos reforçando a heteronormatividade. 

Homoafetividade 
O termo "homoafetividade" se refere ao conjunto de relações afetivas, eróticas e sexuais possíveis entre pessoas do mesmo sexo. Esse termo busca ampliar o termo "homossexualidade", tirando a ênfase da questão da sexualidade, a qual faz com que, muitas vezes, as relações entre pessoas do mesmo sexo sejam pensadas como unicamente sexuais e promíscuas. 

Identidade 
Em termos gerais, identidade é uma relação com aquilo que se é. Identidade é aquilo com o que nos identificamos e faz com que nos reconheçamos como o que somos. A identidade é um conjunto de signos, significados e contextos que permitem que nos identifiquemos. Em um exemplo simplificado, ter nascido no Brasil, gozar de direitos e deveres ligados a esse país, partilhar de um conjunto de práticas culturais, linguísticas (entre outras coisas), faz com que sejamos brasileiras/os, isto é, a identidade de "brasileira/o" é determinada por esses elementos; assim também diversos elementos determinam a identidade de estudante, de docente, de criança, adulta/o, de homem, de mulher, de heterossexual, lesbiana, bissexual etc. 

Identidade de Gênero e Expressão de Gênero
Compreendemos identidade de gênero como a profundamente sentida experiência interna e individual do gênero de cada pessoa (o qual pode ou não corresponder ao sexo atribuído no nascimento), incluindo o senso pessoal do corpo (que pode envolver, por livre escolha, modificação da aparência ou função corporal por meios médicos, cirúrgicos ou outros) e outras expressões de gênero, inclusive vestimenta, modo de falar e maneirismos. (retirado dos Princípios de Yogyakarta) 

Naturalização 
Naturalização é o processo em que algo, que é produzido culturalmente por meio das práticas sociais e das relações de poder, passa a ser visto como natural e como causa daquilo que, na verdade, é consequência. 


Normatização 
O processo por meio do qual as pessoas são enquadradas nas normas sociais e passam a ser vistas como normais. Muitas vezes entendemos que o "normal" é o natural, aquilo que não precisa de nenhum esforço para ser como é. Nessa visão, o que se desvia da norma aparece como antinatural. No entanto, a normatização é resultado de forças sociais que buscam adequar às pessoas suas práticas, seus desejos, seus corpos e suas relações em modelos que são vistos como corretos pela sociedade. 


Patriarcado e sociedade patriarcal 
Chamamos de patriarcado a organização social centrada na diferença de poder e, portanto, na dominação das mulheres pelos homens. O regime patriarcal é uma expressão das ideologias sexistas; nele mulheres e homens tem papéis específicos e uma divisão sexual do trabalho está em operação: as mulheres aparecem como as cuidadoras e por isso a elas é reservado o espaço do lar, enquanto os homens aparecem como trabalhadores ou provedores. Além disso, no patriarcado a figura masculina é central para a organização familiar; o patriarca detém autoridade sobre os corpos e vontades das demais familiares. 

Ressignificar 
Ressignificar é atribuir um significado novo a uma palavra. Um procedimento bastante utilizado por grupos militantes; A ressignificação geralmente ocorre quando há um esforço para atribuir um novo significado que seja mais interessante politicamente a uma palavra que tenha um sentido pejorativo.

Sexista, sexismo 
Sexismo é um sistema de pensamento que institui grupos sexuais e instaura uma hierarquia entre eles. Geralmente dizemos que uma atitude, uma fala, um pensamento ou uma ação é sexista quando ela reforça a diferença de poderes entre os diferentes grupos sexuais.

Eugenia
Eugenia é um termo criado em 1883 por Francis Galton (1822-1911), significando "bem nascido".1 Galton definiu eugenia como "o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente".2 O tema é bastante controverso, particularmente após o surgimento da eugenia nazista, que veio a ser parte fundamental da ideologia de "pureza racial", a qual culminou no Holocausto. Mesmo com a cada vez maior utilização de técnicas de melhoramento genético usadas atualmente em plantas e animais, ainda existem questionamentos éticos quanto a seu uso comseres humanos, chegando até o ponto de alguns cientistas declararem que é de fato impossível mudar a natureza humana.

O termo "eugenia" é anterior ao termo "genética", pois este último só foi cunhado em 1908, pelo cientista William Bateson. Numa carta dirigida a Adam Sedgewick, datada de 18 de Abril de 1908, Bateson usou pela primeira vez o termo genética para descrever o estudo da variação e hereditariedade.3

Desde seu surgimento até os dias atuais, diversos filósofos e sociólogos declaram que existem diversos problemas éticos sérios na eugenia, como a discriminação de pessoas por categorias, pois ela acaba por rotular as pessoas como aptas ou não aptas para areprodução.


Homem cordial e cordialidade
http://www.ebah.com.br/content/ABAAAfj6kAD/cordialidade-sergio-buarque


Patrimonialismo, coronelismo e clientelismo
https://aformacaodobrasil.wordpress.com/2012/11/16/patrimonialismo-coronelismo-clientelismo-e-feudalismo-a-formacao-brasileira/


Cultura 
http://www.brasilescola.com/sociologia/cultura-1.htm
http://xucurus.blogspot.com.br/2012/01/os-tres-sentidos-de-cultura.html


Indústria cultural
http://www.brasilescola.com/cultura/industria-cultural.htm
http://xucurus.blogspot.com.br/2012/06/cultura-popular-x-industria-cultural.html
http://xucurus.blogspot.com.br/2011/02/dossie-cult-industria-cultural-e.html


Relativismo cultural e etnocentrismo
http://www.cafecomsociologia.com/2012/03/relativismo-cultural.html
http://sociologiaboscardin.blogspot.com.br/2013/10/etinocentrismo-e-relativismo-cultural.html


Alienação
http://www.cafecomsociologia.com/2011/03/alienacao.html

Ideologia
http://www.infoescola.com/filosofia/ideologia/


Poder e micropoder, biopoder - Foucault
http://sobnossaperspectiva.wordpress.com/2012/06/19/foucalt/
http://fabiomalini.com/tag/biopoder/


Pós-modernidade e modernidade líquida - Zygmunt Bauman
http://obviousmag.org/archives/2014/01/a_critica_de_zygmunt_bauman_a_pos-modernidade.html
http://xucurus.blogspot.com.br/2010/11/sociedade-pos-moderna-caracteristicas.html


Sociedade pós-industrial 
http://www.infopedia.pt/$sociedade-pos-industrial


Era do hiperconsumo e a hipermodernidade
http://epocanegocios.globo.com/Inspiracao/Vida/noticia/2013/03/o-hiperconsumo-veio-para-ficar-diz-filosofo-frances.html
http://xucurus.blogspot.com.br/2013/03/bourdieu-baudrillard-e-bauman-o-consumo.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hipermodernidade


Inculcação de valores e violência simbólica
http://sociophatias.blogspot.com.br/2011/04/nocoes-de-pierre-bourdieu-e-gramsci.html


Sociedade de controle, sociedade disciplinar e sociedade do olhar (escópica)
http://xucurus.blogspot.com.br/2010/08/sociedade-de-controle-x-sociedade.html


Banalidade do mal - Hannah Arendt
http://xucurus.blogspot.com.br/2010/07/sobre-banalidade-do-mal_27.html
http://xucurus.blogspot.com.br/2014/05/a-banalidade-do-mal-em-nome-de-um.html


A memória do mal e a tentação do bem - Todorov
http://iluminet.blogspot.com.br/2008/12/memoria-do-mal-tentacao-do-bem-tzvetan.html

Exibicionismo e Voyeurismo: a fome de ver
http://xucurus.blogspot.com.br/2011/10/voyeurismo-e-exibicionismo-fome-de-ver.html


Narcisismo
http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/o_que_e_narcisismo_.html

Utopia e distopia
http://xucurus.blogspot.com.br/2010/08/utopia-e-distopia.html


Sociedade do espetáculo
http://obviousmag.org/archives/2013/05/guy_debord_e_a_sociedade_do_espetaculo.html
http://xucurus.blogspot.com.br/2013/03/sociedade-do-espetaculo.html

Ego, id e superego
http://xucurus.blogspot.com.br/2011/06/ego-id-e-superego-psicanalise-de-freud.html

Homem de massa
http://xucurus.blogspot.com.br/search/label/Ortega%20y%20Gasset

Alteridade: o olhar do outro
http://xucurus.blogspot.com.br/2012/02/o-meu-olhar-e-o-olhar-do-outro.html
http://xucurus.blogspot.com.br/2014/10/como-aprender-com-os-indios-viver.html

Apatia, indiferença e reificação
http://xucurus.blogspot.com.br/2014/07/sobre-apatia-indiferenca-e-reificacao.html

Povo
http://xucurus.blogspot.com.br/2014/11/o-que-e-um-povo.html


Resiliência
http://xucurus.blogspot.com.br/2014/01/resiliencia.html

Darwinismo social
http://www.brasilescola.com/historiag/darwinismo-social.htm

Era tecnozoica e ecozoica (o homem afastado ou próximo da natureza) - Leonardo Boff
http://www.jb.com.br/sociedade-aberta/noticias/2011/02/11/a-dificil-passagem-do-tecnozoico-ao-ecozoico/

Iluminismo e sua influência no século XXI - Todorov
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142010000200031
http://www.mundovestibular.com.br/articles/6144/1/Iluminismo/Paacutegina1.html

Megacidades e cidades globais
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/geografia/cidade-global-e-megacidade-conceitos-definem-tipos-diferentes-de-centros-urbanos.htm

O direito à cidade
http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-82/tribuna-livre-da-luta-de-classes/o-direito-a-cidade

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

O parto em discussão

Uma matéria da Revista UnespCiência discute o atual movimento de humanização do parto no Brasil diante de estatísticas que apontam um preocupante índice de mais de 50% de cesárias no país. A desnaturalização do parto e sua transformação em um procedimento médico rápido, eficiente e lucrativo contraria a recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) que alerta para a necessidade de diminuição das cesárias no país. Vale a leitura integral da matéria. Para quem deseja se aprofundar no tema, há o documentário O Renascimento do Parto,

Link para a matéria da Revista Unesp Ciência

Link para o artigo A história do parto

Link para o site do documentário O Renascimento do parto

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

‘Lamentaria muito se os livros em papel desaparecessem’, diz Peter Burke


‘Lamentaria muito se os livros em papel desaparecessem’, diz Peter Burke

novembro 26, 2014 12:40



Autor de duas obras seminais da historiografia social do conhecimento, o intelectual inglês pretende voltar suas atenções para um tema menos abrangente, mas certamente original: o papel dos intelectuais refugiados

Por Carla Pedrosa/Portal UFMG. Foto: Luis Fernando Assis/UFMG

Autor de duas obras seminais da historiografia social do conhecimento, que cobrem da invenção da imprensa, no século 15, até o advento da Wikipédia, o inglês Peter Burke pretende voltar suas atenções para um tema menos abrangente, mas certamente original: o papel dos intelectuais refugiados.

“Normalmente, eles têm a experiência de lidar com dois sistemas de conhecimento diferentes”, diz Burke, exemplificando seu raciocínio com o que chama de “hibridismo” resultante da tradição teórica dos alemães com o viés empirista dos ingleses.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Entre dar e dividir; doar e compartilhar: os abismos que não percebemos

Acabo de ver, na TV, uma senhorinha italiana que testemunhou a participação dos pracinhas brasileiros durante a batalha de Monte Castelo, iniciada há exatos 70 anos.
Na memória dela, uma atitude dos brasileiros marcou: o fato de, diferente de soldados de outras nacionalidades, não doarem, mas dividirem alimentos com a população local. E ela, com toda a autoridade de quem viveu muito mais privações do que a maioria de nós, enfatiza: "porque dar não é o mesmo que dividir; e os brasileiros dividiam; disso não me esqueço".
A fala da senhorinha me fez pensar na diferença - material e simbólica - entre dar (como doação) e dividir (compartilhar). Quem dá ou doa, em geral, coloca-se na posição de quem está em posição privilegiada, pois possui algo que o outro não tem. Isso não significa que o faça de modo soberbo, mas o simbolismo acaba sendo este: exalta-se o que eu faço, porque eu posso e me disponho a isso. Quem divide coloca-se no mesmo plano do outro, imagina-o como semelhante, consegue desenvolver, de fato, a alteridade; pode até estar em uma posição privilegiada, mas sente-se tão miserável quanto o outro e isso o faz viver a dor de todo o mundo.
Essas reflexões me lembraram o poema de John Donne, citado por Ernest Hemingway na obra "Por quem os sinos dobram":
"Nenhum homem é uma ilha, completa em si mesma; todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme(...)  A morte de qualquer homem diminui a mim, porque na humanidade me encontro envolvido; por isso, nunca mandes perguntar por quem os sinos dobram; eles dobram por ti."
E assim fico sonhando que os brasileiros de hoje reproduzam seus antepassados e aprendam que dividir é melhor que doar; que a justiça é melhor do que a filantropia; que que a compaixão vale mais do que a pena, uma vez que o faz "sofrer com" em vez de apenas testemunhar a dor do outro... 


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Dez Mandamentos para Divulgar Notícias no Facebook e Twitter



Dez Mandamentos para Divulgar Notícias no Facebook e Twitter


1) Não divulgarás notícia sem antes checar a fonte da informação.

2) Não divulgarás notícias relevantes sem atribuir a elas fontes primárias de informação. Um “cara gente boa'' ou um “Best Friend Forever'' não é, necessariamente, fonte de informação confiável

3) Tuítes e posts “apócrifos”, sem fonte clara, jamais serão aceitos como instrumento de checagem ou comprovação. Sites que caluniam e não se dignam a informar quem é o responsável, muito menos.

4) Não esquecerás que informação precede opinião.

5) Não repassarás informações que não fazem sentido algum só porque você não gosta da pessoa ou instituição em questão. A disputa entre posições políticas deve ser baseada em um jogo limpo e não em invenciones.

6) Lembrarás que mais vale um tuíte ou post atrasado e bem checado que um rápido e mal apurado. E que um número grande de retuítes, compartilhamentos e “likes” não garante credibilidade de coisa alguma.

7) Não matarás – sem antes checar o óbito.

8 ) Não esquecerás que a apuração in loco, por telefone e/ou por e-mail precede, em ordem decrescente de importância, o chute.

9) Não terás pudores de reconhecer, rapidamente e sem poréns, o erro em caso de divulgação ou encaminhamento de informação incorreta. Pedir desculpas é divino.

10) Na dúvida, não retuitarás, compartilharás ou darás “like” em coisa alguma. Pois, tu és responsável por aquilo que repassas e atestas. Ou seja, se der merda, você também é culpado. E, sim, retuitar, compartilhar e dar “like'' em coisa ruim já rendeu condenação para muita gente.

O que é um povo?


O que é um povo?


Análise de uma fratura biopolítica

GIORGIO AGAMBEN TRADUÇÃO DAVI PESSOA em Folha de São Paulo 16/11/14

RESUMO O filósofo italiano Giorgio Agamben discute os significados do termo "povo", que tanto dá nome ao sujeito político quanto a uma classe que é politicamente excluída, sentidos díspares que geram conflitos. O trecho faz parte do livro "Meios sem Fim: Notas sobre a Política", que a editora Autêntica lança em dezembro.

1. Toda interpretação do significado político do termo "povo" deve partir do fato singular de que este, nas línguas europeias modernas, também sempre indica os pobres, os deserdados, os excluídos. Ou seja, um mesmo termo nomeia tanto o sujeito político constitutivo como a classe que, de fato se não de direito, está excluída da política.

Em italiano "popolo", em francês "peuple", em espanhol "pueblo" [em português "povo"] (como os adjetivos correspondentes "popolare", "populaire", "popular" e os tardo latinos "populus" e "popularis" dos quais todos derivam) designam, na língua comum como no léxico político, tanto o conjunto dos cidadãos como corpo político unitário (como em "povo italiano" ou em "juiz popular") quanto os pertencentes às classes inferiores (como em "homme du peuple", "rione popolare", "front populaire"). Também em inglês "people", que tem um sentido mais indiferenciado, conserva, porém, o significado de "ordinary people" em oposição aos ricos e à nobreza.

Na constituição americana lê-se, assim, sem distinção de gênero, "We people of the United States..."; mas quando Lincoln, no discurso de Gettysburg, invoca um "Government of the people by the people for the people", a repetição contrapõe implicitamente ao primeiro povo um outro.

O quanto essa ambiguidade era essencial também durante a Revolução Francesa (isto é, exatamente no momento em que se reivindica o princípio da soberania popular) é testemunhado pelo papel decisivo que cumpriu ali a compaixão pelo povo entendido como classe excluída. Hannah Arendt lembrou que "a própria definição do termo havia nascido da compaixão, e a palavra tornou-se sinônimo de azar e de infelicidade --le peuple, les malheureux m'applaudissent' [o povo, os infelizes me aplaudem], costumava dizer Robespierre; le peuple toujours malheureux' [o povo sempre infeliz], como se exprimia até mesmo Sieyès, uma das figuras menos sentimentais e mais lúcidas da Revolução". Mas já em Bodin, num sentido oposto, no capítulo da "República" no qual é definida a democracia, ou "Etat populaire", o conceito é duplo: ao "peuple en corps" [povo enquanto corpo político], como titular da soberania, corresponde o "menu peuple" [pessoas comuns, o povão], que a sabedoria aconselha excluir do poder político.

2. Uma ambiguidade semântica tão difundida e constante não pode ser casual: ela deve refletir uma anfibologia inerente à natureza e à função do conceito de povo na política ocidental. Ou seja, tudo ocorre como se aquilo que chamamos de povo fosse, na realidade, não um sujeito unitário, mas uma oscilação dialética entre dois polos opostos: de um lado, o conjunto Povo como corpo político integral, de outro, o subconjunto povo como multiplicidade fragmentária de corpos necessitados e excluídos; ali uma inclusão que se pretende sem resíduos, aqui uma exclusão que se sabe sem esperanças; num extremo, o Estado total dos cidadãos integrados e soberanos, no outro, a reserva --corte dos milagres ou campo-- dos miseráveis, dos oprimidos, dos vencidos que foram banidos.

Um referente único e compacto do termo povo não existe, nesse sentido, em nenhum lugar: como muitos conceitos políticos fundamentais (semelhantes, nisso, aos "Urworte" de Carl Abel e Freud ou às relações hierárquicas de Dumont), povo é um conceito polar, o qual indica um duplo movimento e uma complexa relação entre dois extremos.

Mas isso significa, também, que a constituição da espécie humana num corpo político passa por uma cisão fundamental e que, no conceito de povo, podemos reconhecer sem dificuldade os pares categoriais que vimos definir a estrutura política original: vida nua (povo) e existência política (Povo), exclusão e inclusão, "zoé" e "bíos". Ou seja, povo já traz sempre em si a fratura biopolítica fundamental. Ele é aquilo que não pode ser incluído no todo do qual faz parte e não pode pertencer ao conjunto no qual já está desde sempre incluído.

Daí as contradições e as aporias a que ele dá lugar todas as vezes que é evocado e colocado em jogo na cena política. Ele é aquilo que já é desde sempre e que precisa, no entanto, realizar-se; é a fonte pura de toda identidade e deve, porém, redefinir-se e purificar-se continuamente através da exclusão, da língua, do sangue e do território. Ou seja, no polo oposto, é aquilo que falta por essência a si mesmo e cuja realização coincide, por isso, com sua própria abolição; é aquilo que, para ser, deve negar, com seu oposto, a si mesmo (daqui as aporias específicas do movimento operário, direcionado ao povo e, ao mesmo tempo, voltado para a sua abolição).

De tempos em tempos bandeira sangrenta da reação e insígnia incerta das revoluções e das frentes populares, o povo contém em todo caso uma cisão mais originária do que aquela amigo-inimigo, uma guerra civil incessante que o divide mais radicalmente do que todo conflito e, ao mesmo tempo, o mantém unido e o constitui mais solidamente do que qualquer identidade. Observando bem, aliás, aquilo que Marx chama de luta de classe e que, mesmo permanecendo substancialmente indefinido, ocupa um posto muito central em seu pensamento, não é senão essa guerra interna que divide cada povo e que terá um fim somente quando, na sociedade sem classes ou no reino messiânico, Povo e povo coincidirem e não houver mais, propriamente, povo algum.

3. Se isso for verdade, se o povo contém necessariamente em seu interior a fratura biopolítica fundamental, será então possível ler de modo novo algumas páginas decisivas da história do nosso século. Visto que, se a luta entre os dois povos já estava certamente em curso desde sempre, no nosso tempo ela sofreu uma última, paroxística aceleração. Em Roma, a cisão interna do povo era sancionada juridicamente na divisão clara entre "populus" e "plebs", os quais tinham, cada um deles, suas instituições e seus magistrados, assim como na Idade Média a distinção entre povo miúdo e povo gordo correspondia a uma articulação precisa de diversas artes e profissões; mas quando, a partir da Revolução Francesa, o povo se torna o depositário único da soberania, o povo transforma-se numa presença embaraçosa, e miséria e exclusão aparecem pela primeira vez como um escândalo em qualquer sentido intolerável. Na Idade Moderna, miséria e exclusão não são apenas conceitos econômicos e sociais mas categorias eminentemente políticas (todo o economicismo e o "socialismo" que parecem dominar a política moderna têm, na realidade, um significado político, aliás, biopolítico).

Nessa perspectiva, o nosso tempo não é senão a tentativa --implacável e metódica-- de atestar a cisão que divide o povo, eliminando radicalmente o povo dos excluídos. Essa tentativa reúne, segundo modalidades e horizontes diferentes, esquerda e direita, países capitalistas e países socialistas, unidos no projeto --em última análise inútil, porém que se realizou parcialmente em todos os países industrializados-- de produzir um povo uno e indivisível. A obsessão do desenvolvimento é tão eficaz no nosso tempo porque coincide com o projeto biopolítico de produzir um povo sem fratura.

O extermínio dos judeus na Alemanha nazista adquire, nessa perspectiva, um significado radicalmente novo. Como povo que recusa integrar-se no corpo político nacional (supõe-se, de fato, que toda sua assimilação seja, na verdade, somente simulada), os judeus são os representantes por excelência e quase o símbolo vivente do povo, daquela vida nua que a modernidade cria necessariamente no seu interior, mas cuja presença não consegue mais de algum modo tolerar. E na fúria lúcida com a qual o "Volk" alemão, representante por excelência do povo como corpo político integral, procura eliminar para sempre os judeus, devemos ver a fase extrema da luta interna que divide Povo e povo. Com a solução final (que envolve, não por acaso, também os ciganos e outros não integráveis), o nazismo procura obscura e inutilmente liberar a cena política do Ocidente dessa sombra intolerável, para produzir finalmente o "Volk" alemão como povo que atestou a fratura biopolítica original (por isso os chefes nazistas repetem tão obstinadamente que, eliminando judeus e ciganos, estão, na verdade, trabalhando também para os outros povos europeus).

Parafraseando o postulado freudiano sobre a relação entre "Es" e "Ich", poder-se-ia dizer que a biopolítica moderna é sustentada pelo princípio segundo o qual "onde há vida nua, um Povo deverá ser"; sob a condição, porém, de acrescentar imediatamente que tal princípio vale também na formulação inversa, que quer que "onde há um Povo, ali haverá vida nua".

A fratura, que acreditavam ter sanado eliminando o povo (os judeus que são seu símbolo), reproduz-se, assim, transformando novamente todo o povo alemão em vida sagrada votada à morte e em corpo biológico que deve ser infinitamente purificado (eliminando doentes mentais e portadores de doenças hereditárias). E, de modo diferente, mas análogo, hoje o projeto democrático-capitalista de eliminar, através do desenvolvimento, as classes pobres, não só reproduz no seu interior o povo dos excluídos, mas transforma em vida nua todas as populações do Terceiro Mundo. Somente uma política que tiver sabido prestar contas da cisão biopolítica fundamental do Ocidente poderá deter essa oscilação e colocar um fim na guerra civil que divide os povos e as cidades da Terra.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

O custo de uma roupa hiperbarata...


Por que você deve pensar bem antes de comprar uma roupa irrealisticamente barata?

ADRIANA CARRANCA

11 Novembro 2014 | 10:29

Por Livia Firth e Monique Villa* no Estadão

Na última década, além de roupas baratas, tem nos sido vendido um mito: o de que comprar uma camisa por U$ 2 é um direito de nossos tempos. A verdade é que não há nada de democrático no princípio de comprar roupas por preços irrealistas. A equação é simples: se queremos que as coleções cheguem mais rápido às prateleiras, os produtores têm de trabalhar mais e mais rápido; se queremos que nossas roupas custem menos, então o custo da produção – e os salários – têm de ser menores.

Para atender ao que se tornou uma corrida global pela chamada “fast-fashion” (o fast-food da moda), marcas passaram a exigir a troca constante de novas coleções, os estoques são mantidos intencionalmente baixos para impulsionar as compras, e a rede de fornecedores têm de responder às últimas tendências, trocando a produção em questão de horas. Como resultado, as roupas estão mais baratas e perecíveis do que nunca, alimentando os ganhos da indústria de vestuário, de U$ 3 trilhões ao ano.

No ano passado, o colapso do prédio Rana Plaza, em Bangladesh, onde funcionava um complexo de fabriquetas – que produziam roupas para as mais populares marcas do Ocidente – deixou quase 1.200 trabalhadores mortos, no maior acidente industrial em 30 anos, e colocou em evidência os custos humanos da “fast-fashion”, um alerta para que o público começasse a fazer uma pergunta importante: quem está por trás das roupas que vestimos?


A resposta está frequentemente ligada a uma dinâmica complexa, um mecanismo de exploração que funciona na base da cadeia moderna de suprimentos, e que tem suas raízes na pobreza, negligência e, mais do que tudo, na corrupção, o combustível que abastece a escravidão moderna.

De acordo com a organização Walk Free, há pelo menos 30 milhões de pessoas escravizadas no mundo, o maior número na história. Infelizmente, o tráfico de pessoas é um negócio que cresce rapidamente e movimenta quase U$150 bilhões ao ano, mais do que o PIB da maioria dos países africanos e três vezes os lucros anuais da Apple.

Escravidão é um assunto global, que vai além da indústria da moda. Relatórios recentes destacam o apelo de nepaleses que trabalham na construção civil no Qatar por U$ 0,75 a hora em jornadas de 20 horas e de imigrantes burmaneses na Tailândia que são traficados, brutalmente espancados e escravizados para pescar em alto mar o camarão que chega aos nossos pratos.

Hoje, se comparado o PIB de países com o lucro de corporações globais, percebe-se que estas são maiores e mais poderosas que muitos governos. No entanto, essas entidades transnacionais são pouco questionadas. As cadeias de suprimentos estão se tornando cada vez mais longas e complexas e frequentemente transferem sua responsabilidade à certificação de terceirizados que, na realidade, não garantem muita coisa. Mesmo quando as empresas querem fazer a coisa certa, muitas vezes não sabem o que se passa exatamente em suas cadeias de suprimentos.

E há a corrupção. Muitas das fábricas em Bangladesh, onde os trabalhadores mal pagos perderam suas vidas, assim como centenas de fábricas indianas, onde as meninas são vítimas de trabalho forçado, foram “eticamente auditadas”. Mas algumas destas auditorias não são nada mais do que negócios lucrativos e fraudulentos administrados por empresas impostoras locais contratadas por grandes multinacionais.

Segundo a ONU, tanto os governos como as empresas compartilham um princípio de responsabilidade. Em outras palavras, os Estados têm a obrigação de estabelecer salários mínimos legais justos e as empresas devem pagar os salários em conformidade. Mas a ONU também afirma claramente que, se os governos não conseguem garantir padrões salariais adequados, as empresas têm a obrigação de respeitar o direito humano a um salário mínimo e, portanto, devem estar prontas para tomar a iniciativa nesse sentido.

Uma economia cada vez mais global exige normas e regulamentos internacionais.

Temos normas rígidas e bem definidas de segurança e de regulamentação em toda a indústria da aviação, por que não deveríamos ter medidas universais para manter a escravidão fora das cadeias de abastecimento?

Mas a regulamentação global não é certamente a única resposta. Na verdade, se usarmos o mercado como uma força para o bem, poderíamos ver a mudança em um ritmo muito mais acelerado. Os governos podem levar anos para aprovar leis, e talvez nunca aplicá-las, enquanto as grandes empresas têm a capacidade de pagar preços de produção mais justos e realistas imediatamente, impactando todo o mercado e mudando a vida de milhões de indivíduos com a decisão simples de retribuir de forma adequada seus trabalhadores.

Um salário digno é um direito humano e é fundamental que os consumidores estejam plenamente conscientes do poder em suas mãos. Nós estaremos no caminho certo somente quando olharmos para um vestido de U$ 8 como um alerta vermelho e não como um bom negócio.

* Livia Firth é diretora de criação Eco Age e Monique Villa é CEO daFundação Thomson Reuters. A escravização de pessoas na cadeia produtiva é um dos temas da Conferência Trust Women, que reúne organizações, corporações e governos para discutir a aplicação e o avanço de leis pelos direitos das mulheres. O jornal Estado é parceiro da conferência, que ocorre em Londres nos dias 18 e 19 de novembro. O artigo foi escrito com exclusividade no Brasil para o blog Do Front.

Foto: Reuters

domingo, 9 de novembro de 2014

Bakhtin e o riso

Alguns textos interessantes

http://www.ibamendes.com/2011/04/o-riso-medieval-sob-perspectiva-de.html

http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3964&secao=367

e-revista.unioeste.br/index.php/travessias/article/download/4370/3889


www.letras.ufmg.br/espanhol/Anais/anais_paginas.../O%20riso.pdf

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Aos que prestarão Enem



Desejo a todos os alunos, ex-alunos e leitores do blog uma excelente prova neste final de semana.






Alguns conselhos aos que embarcam nessa prova :


O que levar

- caneta esferográfica de tinta preta, fabricada em material transparente (obrigatório). 

- documento de identificação original com foto.

- cartão de confirmação da inscrição (se não recebeu, é possível imprimi-lo aqui

- alimentos e água.

Alimentos e água

É uma prova extensa e exige bastante leitura, por isso vá descansado. Leve água e algo para comer (de preferência algo que você possa comer ao longo da prova, não na primeira meia hora), mas evite alimentos com excesso de sal.


Quanto à prova: questões

- A prova do Enem possui um sistema diferenciado de avaliação que privilegia o desempenho global do aluno, e diferencia o peso de questões mais fáceis e difíceis.


- Resolva a prova inteira, não "escolha" uma matéria para fazer e sacrifique outra, isso pode prejudicar bastante seu desempenho final.


- Ao ler as questões e resolver a prova, não perca tempo demais em cada questão. 

O ideal é ler o comando da questão, verificar no texto de apoio (gráfico, texto, charge, etc) o que interessa e tentar resolvê-la. Geralmente, há questões fáceis que você conseguirá fazer na primeira leitura. As mais complexas exigem duas ou três leituras, no máximo. Se após a terceira leitura não conseguir esclarecê-la,pule-a para evitar perder tempo de prova.

Gabarito

- Reserve tempo para passar as respostas para o gabarito. Evite deixar para o final para não se atrapalhar com o tempo e o nervosismo. Há quem deixa para a última hora e acaba errando o local das questões no gabarito. Uma dica é, após resolver certo número de questões (20 ou 30), já passar o que resolveu, deixando em branco apenas as que pulou. 


Cuidado especial!!

NÃO OLHE novamente questões que você já havia resolvido. Geralmente. isso é uma armadilha perigosa e sua ansiedade pode levá-lo a apagar a resposta correta e escolher uma que está errada. Confie na sua intuição inicial: se você já resolveu, passe para o gabarito e pronto.


O chute

O final da prova é o momento de olhar novamente aquelas questões que você pulou por não conseguir resolver. Dê mais uma olhadinha para ver se consegue resolvê-las. Muitas vezes, o fato de ter voltado a ela depois fará enxergar algo que, da primeira vez, você não percebeu. Aí é só marcar a correta! Caso nessa segunda olhada, a questão continue nebulosa, o jeito é chutar. Nesse momento, chute com inteligência: se conseguir identificar alternativas absurdas, descarte-as e escolha uma das que sobrou para chutar, ok? Evite chutar às cegas.


Respeite seu corpo

Há pessoas que conseguem passar 4 horas e meia sentadas e não perdem o foco, mas nem todos são assim. Se você notar que não consegue se concentrar, que a cabeça está pesada, a visão ofuscada, peça autorização e vá ao banheiro. Lave o rosto e a nuca, tome uma água e volte. O fato de ativar um pouco a circulação e se refrescar pode melhorar sua performance. Muitas vezes, sacrificar o corpo para "não perder tempo" acaba levando-o a resolver as questões com o raciocínio lento e turvo. Como disse, há quem consiga fazer isso, outros, não.


Domingo é o dia mais cansativo. 

Além das questões de Linguagens e Matemática, há prova de Redação. Então, cuidado.


Descanso

Ao chegar sábado à noite, descanse. Não confira gabarito nem fique tempo demais conectado a conteúdos de prova. Descanse a mente, pois terá de explorá-la muito no domingo. Não adianta ficar ansioso tentando adivinhar o tema da redação, isso só o deixará cansado e inseguro. Durma cedo.


Por onde começar?

O ideal, no domingo, é começar pela redação. Logo que se chega a uma prova, a ansiedade inicial pode prejudicar um pouco a concentração para a resolução de questões, mas esse ímpeto inicial pode ser valioso na redação. É nesse momento que você conseguirá fazer relações inusitadas entre o tema e os conhecimentos que construiu ao longo de sua vida e isso gera resultados bacanas.


O que fazer na redação?


A princípio, faça apenas o rascunho do texto


Leia a proposta e os textos motivadores.


A partir disso, não se esqueça de planejar:

- qual o tema (e seus limites - no Brasil do século XXI?)

- qual a relevância desse tema (para a sociedade, para a economia, para o meio ambiente, para os direitos humanos, etc)

- quais os desafios que ele acarreta no Brasil atual? Há obstáculos para sua efetivação? 


Faça levantamento dos argumentos (vá além dos textos motivadores)

- use seu repertório (conhecimentos de História, Geografia, Sociologia, Literatura, Artes, Atualidades, Filosofia, Biologia, Física, etc).

- pense em fatos atuais ou corriqueiros ligados ou à relevância ou ao desafio que abordará e tente detalhar como isso ocorre, por que razão e que impacto gera.


Já aponte as intervenções que proporá

- esclareça quem deve agir, como deve agir (pense em algo concreto) e para atingir que objetivo



Redija o rascunho ( Introdução, Argumentos, Conclusão) e deixe-o em modo de espera


Resolva questões de outras disciplinas

Antes de revisar sua redação, é importante desconectar-se dela, por isso passe às questões de Linguagens e/ou Matemática antes de revisar seu texto.


Lembre-se de seguir os conselhos já dados para a prova de sábado. Não perca tempo excessivo tentando resolver uma questão. Notou que após um tempo razoável nela (umas 3 leituras) não conseguiu fazê-la, vá para a próxima.



Revisão do texto e versão definitiva

Após dar um tempo e resolver outra prova, você terá condições de avaliar o rascunho de sua redação e fazer a última revisão.


O que olhar na revisão


- Gramática: verifique se acentuou as palavras, se usou crase onde devia, se pontuou adequadamente as frases;

- Vocabulário: verifique se o texto ficou claro e se conseguiu variar o vocabulário (se notar muita repetição, troque por sinônimos, faça elipses, use pronomes, etc)

- Tema: verifique se abordou exatamente o tema proposto com os limites que havia na proposta (era para se referir ao Brasil? você fez isso?; era para tratar do tema hoje? você fez isso?)

- Argumentos: observe se o seu raciocínio ficou claro, se o que você inseriu ficou bem conectado com o tema e coerente com sua tese, se conseguiu analisar com certa profundidade, utilizando seu repertório cultural.

- Intervenção: você fez intervenções viáveis, dividiu atribuições (mostrou que a tarefa proposta por você não depende só do governo ou só da vontade das pessoas).


CAPRICHE na letra!






Para quem desejar rever alguns textos que tiraram nota máxima na prova do ano passado, seguem três exemplares abaixo. 














Boa prova a todos!


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