Por intermédio dos espaços virtuais que os exprimiriam, os coletivos humanos se jogariam a uma escritura abundante, a uma leitura inventiva deles mesmos e de seus mundos(...) poderemos então pronunciar uma frase um pouco bizarra, mas que ressoará de todo seu sentido quando nossos corpos de saber habitarem o cyberspace: “Nós somos o texto.” E nós seremos um povo tanto mais livre quanto mais nós formos um texto vivo.
Pierre Lévy

domingo, 3 de junho de 2012

Quinze anos: o tempo da memória?


interessante artigo do Ruy Castro, publicado na Folha (via Conteúdo Livre)


RIO DE JANEIRO - Na semana passada, comentei com alguém que, por aqueles dias, iria participar de um evento da Folha sobre Paulo Francis. Um ponto de interrogação surgiu sobre a cabeça do rapaz. O nome Paulo Francis não lhe dizia nada. Perguntei sua idade. "Trinta e dois", respondeu. Bem, Francis morreu há 15 anos, em 1997, donde o jovem -nem tão jovem-estaria com 17 quando isso aconteceu. Já tinha idade para conhecer Francis pela TV. A não ser que só assistisse ao canal de desenhos animados. 

Imagino a decepção de Francis se soubesse que, tão pouco depois, estaria tão esquecido. Gostava de ser popular e valorizava mais esse reconhecimento do que deixava transparecer. Certa vez, foi abordado em Nova York pela mulher de um poeta vanguardista brasileiro. Ela era sua fã; o marido, não. Perguntei-lhe sobre o que falaram. "Discutimos o preço das geladeiras em São Paulo", ele riu. Mas, no fundo, gostou. 
Em 1979, quando João Bosco e Aldir Blanc compuseram "O Bêbado e a Equilibrista", tiveram de referir-se ao "irmão do Henfil" para falar de Betinho, então um importante exilado político, mas solidamente desconhecido das grandes massas. Henfil, ao contrário, era popularíssimo como cartunista. Veio a anistia, Betinho voltou para o Brasil e tornou-se, ele próprio, uma figura pública.

Em 1988, Henfil morreu. Quinze anos depois, em 2003, ao dar uma entrevista sobre qualquer assunto, mencionei-o. O repórter (de uma conhecida revista semanal) não sabia de quem se tratava. Ou seja, com apenas 15 anos de ausência, Henfil já fora esquecido. E Betinho, por sua vez, morreu em 1997 -também há 15 anos. Ainda saberão quem foi?

"De 15 em 15 anos, o brasileiro esquece o que aconteceu há 15 anos", sentenciou Ivan Lessa, aliás, amigo de Francis. Donde, se quiser sobreviver, não morra.


Folha de S.Paulo
01/06/2012

Educar em casa - uma boa opção?


reportagem do Estado de Minas, publicado no Conteúdo Livre


MINHA CASA, MINHA ESCOLA Cresce o número de famílias que tiram os filhos da sala de aula para educá-los no lar. Apesar de processos judiciais, casais temem bullying e desvirtuamento de valores 



Tiago de Holanda




Casal Cléber e Bernadeth foi condenado por descumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente ao tirar Davi e Jônatas da escola, mas estendeu a prática para a caçula, Ana



As humilhações dos trotes - do blog da Lola


AS HUMILHAÇÕES DOS TROTES - blog Escreva, Lola, escreva


Como sempre acontece em tantas universidades, este ano na Unicamp também houve abuso nas atividades de recepção aos calouros. Algumas calouras reclamaram, a questão foi levada pro Centro Acadêmico, e notou-se (como é igualmente comum) que não havia espaço para reflexão sobre o machismo no meio universitário. Pra preencher essa lacuna, alun@s da Unicamp decidiram promover um ciclo de debates sobre machismo e opressão de gênero na universidade, nos movimentos sociais e na mídia. É por isso que estarei lá no dia 28, próxima segunda. Fui convidada justamente para falar sobre esses trotes. Mas sou professora, e quem é alun@ conhece melhor a dinâmica dos trotes, essa praga hierárquica e repulsiva disfarçada de tradição e brincadeira. Queria pedir pra vocês compartilharem experiências humilhantes de trotes, para que eu possa ter mais exemplos pra minha palestra.

Conheço alguns casos. Inclusive já tratei de vários no blog. Em 2010, durante o InterUnesp, jogos universitários realizados em Araraquara, cerca de 50 rapazes da Unesp derrubaram agumas alunas gordas e montaram nelas, como se fossem peões dominando touros. Os outros gritavam: “Pula, gorda bandida!”. Isso foi organizado no Orkut, e os mascus sanctos se vangloriam que foi obra deles (bem capaz). Os três organizadores do Rodeio de Gordasreceberam apenas cinco dias de suspensão. Já o Ministério Público forçou um acordo para que Roberto Negrini e Raphael Dib Tebchrani pagassem cerca de 20 mil reais cada um em cestas básicas para instituições (ironicamente, feministas e LGBTTT). Um dos três organizadores, Daniel Prado de Souza, recusou-se a assinar o acordo. Se for condenado, terá de pagar 50 cestas básicas. Fica aqui a torcida para que seja. 

ET não quer mais 'go home'

ET não quer mais 'go home' - MARCELO RUBENS PAIVA

Dizem que devemos ver filmes americanos apenas para nos divertir: entretenimento puro de lógica aristotélica e trama mastigada com começo, meio e fim, que não deixa dúvidas ou final em aberto, produção tecnicamente impecável de efeitos mágicos, que torna o projetado mais fascinante do que o mundo ao redor.

Mas quem viveu em outros tempos costuma assistir para acompanhar as atuais noias da Corte e checar qual mensagem subliminar ela quer passar para a militância do mundo livre.

A indústria está conspirando em conluio com o império que mais se utilizou dela em tempos de guerra, ou... relaxa, se liga no tamanho da pipoca, lugar marcado, conforto da poltrona e esterilização dos óculos 3Ds?

Cinco das dez grandes produções atuais mostram que o mundo está por um fio. O planeta é geralmente ameaçado por mudanças climáticas, asteroides ou ETs. A distância da Guerra Fria trocou o pavor das bombas caírem em mãos erradas e mal-entendidos pela ciência dos erros da nossa industrialização, incapacidade de uma ação ou consenso coletivo e do terrorismo.

Nas outras cinco produções, são zumbis e vampiros que aparecem para atormentar a paz entre suburbanos reféns do mercado financeiro.

Todas seguem um mandamento: o cidadão periférico deve estar alerta à invasão clandestina e alienígena. E espelham a polarização da política local. Podem ser divididas em democratas e republicanas.

Democratas: a falência da ética devido à corrupção do mercado exige um poder centralizador, forte, que prioriza a diplomacia. Em Independence Day, exemplo de filme democrata, é o presidente quem lidera o esquadrão de caças a abater a nave inimiga após exaustiva negociação.

Republicanas: o cidadão comum se junta a seus pares e, com a excelência do arsenal privado, guardado na garagem da casinha do subúrbio ou na camionete, arregaça as mangas e parte pra luta, já que o Estado é incompetente. Marte Ataca e Guerra dos Mundos são dois exemplos de filmes republicanos. Como Armageddon, em que petroleiros são enviados ao espaço e salvam a humanidade ao pousarem num meteoro com perfuradoras e uma potente bomba.

***

A maior metáfora do mundo

texto do Luis Fernando Veríssimo, publicado em O Globo, via Conteúdo Livre

Verissimo - A maior metáfora do mundo

Faz 100 anos que o "Titanic" foi ao fundo e o aniversário do naufrágio está tendo quase tanta cobertura quanto o próprio naufrágio. Há exposições sobre o navio e seu fim em várias cidades da Europa e discute-se outra vez desde as minúcias do desastre, como a desatenção do comando do navio aos vários alertas de icebergs na rota, até seu significado maior. Um jornal satírico americano fez uma edição inteira lembrando o acidente e seus intérpretes cuja manchete principal era "Maior metáfora do mundo bate em iceberg e afunda". Que o trágico fim da maior coisa construída pelo homem até então era uma metáfora ninguém discutia. Mas qual, exatamente, a metáfora?

O naufrágio do "Titanic" marcava o fim tardio do século 19 e sua confiança ilimitada no progresso tecnológico. Como um castigo a mais pela pretensão do século que findava, dali a dois anos toda a nova engenhosidade da era estaria engajada nas máquinas de morte da Grande Guerra e a tragédia precursora do "Titanic" simbolizaria um adeus à inocência. Chamado de indestrutível, o "Titanic" desafiara os deuses, como os titãs do mito, e, como os titãs, fora destruído pelos deuses - metaforicamente. Outra metáfora: nada simboliza a divisão de classes como a divisão das classes num navio como o "Titanic!", onde os viajantes do porão, inclusive as crianças, tiveram poucas chances de escapar com vida. O "Titanic" também era o mundo do privilégio ostensivo e da massa descartável metaforizado.

Cherbourg, na Normandia, tem uma razão especial para lembrar o "Titanic". Seu porto foi uma das duas escalas feitas pelo navio depois de deixar Southampton. Estivemos há dias na simpática Cherbourg - que também foi um porto importantíssimo durante a Segunda Guerra Mundial e é a terra dos guarda-chuvas filmada por Jacques Demy, com música de Michel Legrand. Fomos visitar sua exposição dedicada ao "Titanic". Excelente. No rádio do carro, não, não Michel Legrand, mas, juro, Ai Se Eu Te Pego. Simbolizando, pensando bem, nada.


Estadão
O Globo
Zero Hora
31/05/2012

Classe, cultura e preconceito

ótimo texto sobre cultura popular, burguesia e cultura feita 'em nome do povo'

texto publicado em Estado de Minas, via Conteúdo Livre

A indústria cultural em crise
"Percebeu que a arte popular é mais expressiva que a arte que foi feita em nome do povo. Dinheiro nunca significou bom gosto, mas hoje tem anistiado quem não tem gosto qualificado a se jactar de ser brega, jeca e vazio. A incultura entrou em moda pela porta do mercado. "

Leia o texto integral:







Heitor Villa-Lobos: esse entendia de música popular

Há uma operação em andamento na sociedade brasileira que começa na economia, ganha tradução no comportamento, faz um estágio na política e desafoga na cultura. É a chamada ascensão da nova classe média, que vem causando muita confusão conceitual e gerando preconceito a rodo. O novo patamar de renda de parte da população, que permitiu que muitas pessoas chegassem ao mundo do consumo, foi traduzido como uma nova realidade social. 

Na verdade, não há identificação entre classe e renda, pelo menos na perspectiva da sociologia. Classe social não se define por faixa de renda nem pela quantidade de eletrodomésticos inúteis e quebradiços. Essa classificação representa na verdade a relação das pessoas com o consumo e não sua posição no processo de produção econômica ou no jogo das relações de força da política.

História mal contada

interessante artigo sobre a prática danosa de "proibir" ou "censurar" biografias no Brasil

texto publicado no Estadão


História mal contada
Domingo, 03 de Junho de 2012, 03h08Gustavo Binenbojm

Uma das modalidades em que se desdobra o direito à informação consiste no direito dos cidadãos ao conhecimento de sua história e à construção da memória coletiva. Tal direito se encontra em risco no Brasil, dada a proliferação dessa espécie de censura privada que é a proibição das biografias não autorizadas.

Por conta da abertura textual dos artigos 20 e 21 do Código Civil e da interpretação extensiva que lhes vem sendo dada pelo Poder Judiciário, biografias de pessoas notórias têm sido proibidas, em nome da proteção de sua vida privada. Em outras palavras, caminhamos para nos tornarmos um país onde somente as biografias chapa-branca têm vez. Como lembra o historiador José Murilo de Carvalho, o epíteto de biografia autorizada confere à obra uma conotação de fraude, pois significa que o biógrafo reportou apenas o que passou pelo prévio crivo do biografado.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

As 14 fotografias mais importantes de todos os tempos


14 fotografias mais importantes de todos os tempos

por Diego Gabriel Foss de Fotografe uma ideia

Muitos acham a fotografia uma coisa sem sentido, que não é capaz de mudar alguma coisa. Porém, esses muitos estão totalmente errados. Na maioria das vezes, uma imagem vale mais que mil palavras. Uma fotografia é capaz de mudar o mundo, mexer com uma sociedade. 

Após algumas pesquisas, achei as 14 fotografias mais importantes de todos os tempos, mais conhecidas, que foram capazes de mexer com o mundo e, venho através deste artigo, mostrar essas fotografias e suas respectivas histórias. 

Cultura popular X indústria cultural


Suassuna critica gosto por Calypso e Lady Gaga em feira literária de SP
‘A cara do Brasil não é feia nem superbrega’, disse escritor de 85 anos.
Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto acontece até 3 de junho.




Rodolfo TiengoDo G1 Ribeirão e Franca




10 comentários
"A cara do Brasil não é feia nem superbrega", disse Suassuna, em Ribeirão Preto (Foto: Rodolfo Tiengo/ G1)

“Nossa vida é uma mistura de riso e choro”. A frase citada por Ariano Suassuna durante uma conferência na Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto (SP) resume o tom da conversa com o público por cerca de uma hora e meia no Theatro Pedro II no sábado (26). Uma das principais presenças do evento que acontece até 3 de junho, o autor de “Romance d’A Pedra do Reino” e “Auto da Compadecida”, apesar do bom humor, não poupou críticas àquilo que ele chama de “arte de quarta categoria”.
saiba mais

Pimp my carroça na virada sustentável



Virada Sustentável será neste fim de semana


A segunda edição da Virada Sustentável será realizada em São Paulo neste fim de semana. A ideia principal do evento é usar a cultura como ferramenta para conscientizar as pessoas sobre práticas sustentáveis. Estão programadas mais de 600 atrações, que inclui exposições, exibição de filmes e oficinas de yoga, em 120 endereços da capital paulista. Também haverá pontos de coleta de e-lixo. A programação completa você encontra no site: http://www.viradasustentavel.com/.


Uma atração que me chamou bastante a atenção é o “Pimp My Carroça”, que prevê a melhoria de carroças de catadores com a “direção de arte” do grafiteiro Mundano. O dinheiro para financiar este projeto foi obtido por meio de doações. Você pode conhecer melhor o Pimp My Carroça neste endereço: http://catarse.me/pt/projects/582-pimp-my-carroca.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...